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DOSSIER A-7P CORSAIR II - 5502

Ora aqui está um dos A-7P cuja história se reveste de algumas particularidades.
Este avião foi "encostado" algo prematuramente, a 12 de julho de 1990, ou seja, pouco mais de oito anos depois de ter chegado (no lote dos primeiros nove, em 24 dezembro 1981).
Na altura em que se declarou o seu fi de potencial, falava-se muito no "sacrifício" de algumas aeronaves ou, empregando um termo que sendo mais "específico" não deixa de ter o seu quê de macabro, isto é, um avião canibalizado para fornecer peças a outro(s).
Não há, em bo rigor, como apurar a veracidade desta sentença mas, tendo em conta os problemas que a frota enfrentou relativamente ao abastecimento de sobressalentes, a "conclusão" pode afirmar-se como legítima, digamos.
Ainda assim, este intrépido Sluf voou 1039.05 horas com as cores portuguesas, que juntou às 3380.05 que já tinha voado como A-7A (BuAer 153200) na USNavy, onde iniciou a sua vida em 1968.
Esta foto que se segue (autor não referenciado), de muito deficiente resolução, é dada como mostrando o A-7A 153200, algures no início da década de 70, justamente aquele que viria a ser o nosso 5502.


Nesta outra imagem (autor não identificado), rara e a cores, vemos o A-7A BuAer 153200 a ser reabastecido por um A-3 Skywarrior. Notar que o A-7 tem apenas montada uma das três estações da asa visível.

O avião foi retirado para o AMARC em novembro de 1977 e em maio de 1980 foi para modificação na Vought, para depois integrar o primeiro lote que operaria em Portugal.

FACTOS E IMAGENS DO 5502

Esta foto (Slide CAVFA/Col. ALuís) mostra uma formação cerrada, em parelha, em que o 5502 surge em primeiro plano, como asa. O registo terá sido obtido ainda nos "primórdios" da operação do A-7P, uma vez que olhando os aviões, tudo parece ainda cheirar a tinta fresca!


Na imagem que se segue (autor: Marc Van Zon/Airliners.net), algures em 1987, vemos o 02 na linha da frente da Esquadra 304 - Magníficos, na zona onde hoje está a Porta d'Armas da BA5, com o avião já em wrap around integral e com as marcas junto ao canopy com o aspeto que seria uniformizado a toda a frota, provavelmente depois de ter sido submetido a uma grande inspeção nas OGMA. O avião apresenta, também, simbologia da Esquadra 304 - Magníficos, na deriva, um pouco acima da bandeira e da matrícula.
Notar que o avião não tem sob as asas as estações 2 e 7. Durante alguns anos, uma boa parte dos A-7P não tiveram montadas essas 2 plataformas de armamento.
Ao que se conseguiu apurar, não houve nenhuma razão especial para tal, muito embra se especulasse na altura que seria para diminuir o peso dos aviões ou porque, na sua maioria, as missões operacionais prescindiam desses dois elementos. Este facto não "colou", uma vez que aos poucos, foram reintroduzidas essas estações, retomando-se então a configuração normal e de raíz no A-7.


A foto seguinte (autor: Klemens Hoevel/Airfighters.net) reporta-nos para um "Squadron Exchange" realizado na Alemanha, em 1988 e nela vemos em primeiro plano o 5502, acompanhado de mais 3 aviões (5515, 5548 e 5519).
Nesta foto vemos o avião equipado com dois depósitos suplementares de combustiível, curiosamente as únicas "partes" do A-7P que ostentaram o esquema de pintura B, que consistia no ondulado a separar as superfícies castanho/verdes e o cinza claro das inferiores. Este esquema nunca chegou a ser adotado nos nossos Corsair II. Mais uma vez, observe-se a ausência da estação 2 e 7...


Mais uma imagem do 5502, em pleno voo e com a mesma configuração da foto anterior. Foto obtida algures em 1988 e sem autor identificável. (Digitalização de revista)

Aqui por baixo, a liderar uma formação com os aviões 5536 à esquerda, 5538 á direita e o 5514 em primeiro plano. (Digitalização de revista - sem autor definido e cedida por Paulo Moreno).

O 5502 pode ainda ser visto, no presente, bem longe de Portugal, mais concretamente na Polónia, na cidade de Cracóvia, preservado no Museu Lotnictwa, conforme atesta a foto seguinte (autor: Luís Vaz/Planespotters.net) O avião está visivelmente em não muito bom estado, faltam-lhe as estações 1 e 8 e notam-se alguns maus-tratos provocados pela degradação da célula em si e pela ação dos elementos. Ainda assim, é sempre bom "manter" estas máquinas para a memória futura!


DOSSIER A-7P CORSAIR II - 5501



Esta fotografia (resultante de um scanning) foi, provavelmente aquela que mais mostrou o A-7P ao mundo. Não só por se tratar do 5501 - o primeiro avião da série de 50 - como por ser uma imagem que revelava bem como era o Sluf lusitano.
Foi amplamente divulgada, tendo em conta que naquela época (início da década de 80) a internet era um sonho distante - pelo menos no seu modo generalizado como hoje existe - e portanto, os órgãos de comunicação usavam repetidamente o que tinham à mão, para ilustrar as suas publicações relacionadas.
Devido aos contornos polémicos da sua aquisição (que aquisição de material militar não é polémica em Portugal?), o A-7P cedo reuniu à sua volta uma curiosidade muito particular e esta fotografia foi durante muito tempo a resposta a esse desejo.
Depois, a introdução do A-7P viria a marcar um importante salto tecnológico no que respeitou à operação de uma aeronave de combate de uma geração e respetivo miolo, já bastante à frente do F-86 e do Fiat G-91. Com ela, novos conceitos que vieram alterar o satos quo relativo aos aviões de combate utilizados durante muitos anos, inclusivamente nas operações ultramarinas.
Este avião em particular, voou de 1981 até 1985, ano em que se envolveu num acidente (colisão em voo) com o 5505, na Bélgica, a 1 de julho, quando voava numa missão composta por quatro aviões e rumava à Base Aérea de Liége, para um Squadron Exchange (1). As duas aeronaves (5501 e 5505) ficaram totalmente destruídas.
O 5501 chegou a Portugal com 4543.25 horas de voo,  tinha como BuAer original 154352 (célula A-7B) e voou 523.40 horas ao serviço da Força Aérea Portuguesa.

(1) A-7P Corsair II - Rui Brito Elvas, 1999


FACTOS E IMAGENS DO 5501

A célula original americana - 154352 A-7B foi armazenada no AMARC em novembro de 1977, depois de o avião ter voado mais de 4500 horas na USNavy e tendo sido empregue na guerra do Vietname.
Foi depois enviada para transformação em A-7P em abril de 1980.


Cá está o A-7B 154352 que viria a ser o 5501 português.


A fotografia seguinte (crédito: Arquivo-CAVFA/col. AL) foi obtida no dia da chegada dos primeiros 9 aviões a Monte Real, em 24 de dezembro de 1981, depois do famoso voo ferry Dallas-Lajes-Monte Real. O 5501 vinha nesse lote, juntamente com os A-7P s/n 5502 a 5506, o 5509 e o 5511.


Mais duas  fotos do 01, no dia da chegada a Monte Real. Na foto a cores, o 01 isolado e em baixo, os primeiros 9 aviões na Bravo de Monte Real, com o 01 em primeiro plano.
(Sem autor definido, mas provavelmente o célebre "Barbeiro e fotógrafo da BA5").



A foto seguinte (autor: John Donnell) apresenta o 01 já com os dígitos "01" nas portas do trem principal. A imagem não está localizada, mas pelo cenário envolvente, será algures numa base aérea europeia, na altura em que o A-7P começou a ocupar o papel de principal "embaixador" da Força Aérea Portuguesa e de Portugal nos exercícios e eventos aeronáuticos europeus.
Notar que os depósitos não não estão montados nas estações 3 e 6, como eram mais "normal", mas na 1 e na 8.


Edição: Pássaro de Ferro


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